...e parece que coisas em mim começo a descubrir... Tenho, do nada (comummente) flashes de lugares, de lembranças e cheiros. Nao possso evitar e nao é nenhum símbolo asociado a nada. Sao apenas brotaçoes sem sementes- pelo menos nao instantaneas. Muita coisa que nem me lembrava, e coisas sem significado aparente, pelo menos. No começo, me assustava, depois se fez comum.
Me vi em uma cena de filme outro dia indo pra o shopping; tem um relógio em frente de casa (nova) e ele marca, as vezes, uma hora atrasado ou adiantado. Entao me assusto porque acho que estou, ou muito atrasada ou muito adiantada... ou podia ter dormido mais, ou dormi muito...
Mas, resulta que quando digo pra minha vizinha, no ponto de onibus, recentemente tendo me assutado com o horário, ela me diz que “nao, deve ser ilusao de otica, que quando vc olha parece um cinco, mas na verdade é um seis, olha lá”, e eu olho, e é um seis, que posso jurar que era um cinco! De pé junto. Entao pensei: “nao tem graça...¬¬”. Também se fez comum, e passei a acostumarme, acho que só eu vejo.
Fazendo o Taller da Vó de confeccionar seu próprio Dreamcatcher conscientemente, descobri muita coisa que já sadia, opa, sabia...(frase comum demais- me incomoda) (quero dizer, eu gosto de descobrir coisas, mas me embola ser sempre igual nisso. Mesmo que as vezes as descobertas nao sejam as mesmas...) (nao importa.)
Enfim: Comecei uma vida. Minha vida. Vivendo... nunca entendi muito bem como as coisas funcionavam, ou melhor, nunca tive a oportunidade de perceber que ela era minha e que eu poderia criar o que quisesse. Entao sempre empurrei esse dever, responsabilidade para outros. Sendo inconsequente, pouco me importando, só devolvendo a bola, caminhando, sem pensar, sem curtir, foi um eterno esperar para nao-sei-o-quê. E como se eu sempre pensasse “quando vai começar?” e sem dar-me conta cheguei até praticamente os 19 anos sentindo-me um pouco a espera...
Tive sementes de consciencia plantadas desde os 8 anos mais ou menos, reforçadas e regadas aos 11 e 12, constantemente. Foi como uma inclinaçao a “seria legal agora, Lila, se você começasse a buscar dentro de você quem você é...” Entao me bombardeei de teorias de “como alguém deve ser” de perdoar tudo, compreender tudo, soltar tudo e de ser uma boa pessoa. Comecei a sentir uma pequena pressao de “deverias” impulsionada por uma onda de reconhecimentos e atençao que poderia vir a suceder (ou seja, era ainda suposta)...
Mal reconhecia quem era o quem queria ser (já que provavelmente nunca tinha pensado em nada, tudo que tinha até ali era um ponto estático) nao era nem nao entendido nem questionado, nem avaliado...
Até que muita coisa sim, começou a fazer sentido, a tocar o coraçao, a encontrar o ideal, o como-as-coisas-tinham-que-ser, as receitas infaliveis, as utopias, as filosofias. Ah! Como fez sentido... Pensei que era isso, que tava feita, que conhecia a verdade e que quando eu mostrasse ela a todo mundo que iam concordar e tudo ia ser tao lindo e perfeito... Entao comecei, claro, a dar com a cabeça na parede, e ter que começar a refazer minhas teorias que ficavam obsoletas ou nao se aplicavam a realidade do cotidiano. E meu mundo dependia dessas novas teorias, e as que vieram depois... até que fui perdendo a fé em mim e em tudo em que depositei-a.
Me ressenti. Nao podia acreditar que ia ter que me sentir tao sozinha se tinha as respostas de todas as perguntas. Ai foi como as coisas começavam a parecer tao complicadas...
Ao final passei por tempos que joguei tudo pro ar; minha frase mais comum era “nao sei de mais nada” e todo o sentido que tudo a segundos atras tinha se evaporou...
Estagnei pra sempre. Me salvei a indulgencia e a melhor coisa que encontrava pra fazer era comer, dormir e deixar claro pra uma parte de mim de alguma maneira boba, que me fizesse sentir melhor (mas costumava ser ao contrario) de que ia ficar tudo bem.
Mergulhada nas minhas mentiras pra mim mesma respirando apenas por canudinho, com os olhos ardendo e com a afliçao de “vai logo, tenho que dormir que amanha cedo tenho aula” fiquei. Por bastante tempo. Me movendo o menos que consegui e pisando na bola cada tentativa de reacomodar pela caimbra.
Nao sabendo por onde começar a me mover, com uma vontade de gritar muito alto, sabendo que muito provavelmente nao se escutaria e eu me afogaria um pouquinho, comecei a escutar uma voz. Uma voz que dizia desde um lugar de identificaçao.
TO BE CONTINUED...
domingo, abril 20
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